Hey, gente! Damasco voltando dos mortos (ou da faculdade mesmo) trazendo uma resenha de um sáfico que foi bem hypado ano passado e chamou minha atenção pela capa e título: hoje vamos falar de Azedo da Nina Melga, uma experiência que achei que deveria ser debatida.
(Sim, meus senhores, foi essa capa que me conquistou e me enfiou nessa espiral)
Nome: AZEDO
Autor(a): Nina Melga*
Tipo: Livro (nacional)
Formato: E-book kindle
Volumes: Volume único
Páginas: 153 páginas
Editora: Publicação independente / Kindle
Idioma: Português
Gênero: Adolescente, Clichê, Conto, Girls Love, Escolar, Romance, Sáfico, Slice of Life
Classificação: +14
Sinopse: Tudo que Olivia quer é um amor que dure. Depois de um término difícil com Max, Olivia está disposta a apagar o garoto da sua vida. Porém, isso fica complicado quando ela o encontra com Sabrina, a garota que um dia foi sua melhor amiga e sua antiga crush.
Ela decide deixar os dois de lado, até ser colocada como dupla de Sabrina em um trabalho escolar. Com essa nova e repentina proximidade, Olivia precisa superar Max e escolher se vai manter os sentimentos do passado com Sabrina em segredo ou irá se entregar a eles.
AZEDO é uma novela inspirada no álbum SOUR de Olívia Rodrigo
*Nina Melga é o pseudônimo das autoras Elena DiMael e Giovanna Melgaço.
Resenha - AZEDO
A obra promete um clichê adolescente sáfico baseado no álbum SOUR da Olívia Rodrigo — que acabei de descobrir que é azedo em português, um pouco tarde talvez. O nome da protagonista também é Olivia, mas como não sou fã não peguei mais nenhuma referência.
Somos apresentados a Olivia descobrindo que foi traída através de pessoas mandando mensagem pra ela e como Olivia reage a isso, o que já revela parte da personalidade irritante que vamos encontrar por toda a obra. Olivia é uma protagonista irritante, que não consegue se comunicar adequadamente e rejeita as tentativas das outras pessoas de tentar se comunicar com ela. Isso vai se arrastar por muitas cenas que entram em ciclos irritantes da mesma coisa durante uma grande fatia do livro. Todo o conflito da obra se baseia na rejeição da Olivia em tentar conversar com as pessoas que machucaram ela (isso porque a iniciativa nem é dela) e deixou parte da obra muito maçante.
"Quando era mais nova, ao invés de fazer como as minhas personagens favoritas que iam para cemitérios escrever em diários, eu sempre vinha para cá." — sim, Olivia, cult e descentralizada.
Tem uma única coisa boa em Olivia que é ela estar tranquila quanto a gostar de garotas, a parte relevante pra ela é ser a ex melhor amiga dela muito bonita. Gostei de não ter o grande conflito "oh meu Deus eu gosto de garotas" e ser direto, mesma coisa pra Sabrina. Sendo uma obra tão livre, a sexualidade dos personagens em geral não fica explícita, uma abordagem interessante.
Agora uma parte perigosa no tratamento de pessoas LGBT+ foi a inserção de dois elementos: o personagem que usa roupas consideradas socialmente femininas e o "trisal da escola". Luke, personagem que aparece usando constantemente roupas como croppeds, vestidos e maquiagem e isso não tem nenhuma relevância pra obra ou pro personagem, mas não é nenhum problema aparente. Agora a chamada pro "trisal da escola" foi porque eles apareceram somente em uma cena específica, chamados somente de "o trisal da escola" e não trouxeram relevância alguma pra história, o suficiente pra se você mentalmente cortar essa citação da obra você não vai sentir diferença alguma. Essa prática é perigosa porque se aproxima do conceito token, o ato de colocar LGBTs+ como uma cota ou uma falsa representatividade. Foi uma tentativa de mostrar a pluralidade da história, mas que foi bem errada.
Falando no roteiro, é uma história escolar comum, com intrigas que me lembram muito as histórias que eu lia no Wattpad em 2017: é ambientada na Califórnia com aquela típica rotina adolescente de piscina, festas, eventos escolares, amizades próximas, passeios, pessoas com tempo, pessoas ricas e pais presentes/ausentes na medida necessária pro desenvolvimento da história. Pela falta de descrições mais precisas, deu a impressão de que todos os personagens são brancos. É uma história muuuito distante da realidade no Brasil, então encarei como um ideal. Mas a partir do momento que a protagonista foi eleita como rei do baile em uma votação pública sem ela saber que sequer concorria e ainda conseguiu ser eleita pelas mesmas pessoas que fizeram grupos de fofoca pra falar do chifre dela... É muito esforço pra forçar uma situação absurda dessas.
Tem duas dinâmicas de cenas que são muito boas e surpreendentes: a primeira são todas as cenas em Olivia, Max e Sabrina estão no mesmo lugar. Isso gerou interações inesperadas e reforçou o plot da história — que eu não consegui prever, então foi muito interessante. A segunda é todas as cenas de beijo e a quebra de expectativa que veio junto até o tão merecido beijo. A construção de cenas de relacionamentos sáficos tem um aroma diferente dos outros. As cenas delas juntas me fez amar tanto Sabrina quanto detestar Olivia.
Um fato que pegou muito foi a história se passar oficialmente na Califórnia, mas ter o uso de alguns elementos brasileiros como autoescola e ice de morango. É irritante pra mim como leitora quando isso acontece, porque dá a impressão de que a história é inconsistente. As bebidas 51Ice são nacionais e nem teria como eles comprarem tanta cerveja num lugar em que a maioridade é vinte e um anos e eles estão no Ensino Médio. A escolha de autoescola nos EUA não é aplicável porque não tem aula lá, então é um termo inadequado — houve algo semelhante numa discussão na internet sobre traduzir uma cabine telefônica para orelhão.
Acho que a minha experiência com essa obra foi incômoda, porque eu estava com muitas expectativas pelo hype e a obra entregou um ritmo diferente do que eu estava esperando, com coisas que eu achei problemáticas e que chamaram atenção por grande parte da obra. Mas eu recomendaria esse livro? Acho que sim. Existe um público pra esse tipo de história e ela não é ruim, tem uma escrita boa, um clichê sáfico num mundo fictício, porém, eu com certeza não releria AZEDO.
AGORA FALANDO SOBRE UM SPOILERZÃO.... Sendo um clichê, ficou óbvio que as duas ficaram juntas, né? Mas eu sou do time que acha que a Sabrina merece alguém melhor que a Olivia.
Classificação: 3/5
Mas o que você achou de AZEDO? Uma obra para evitar ou um clichê injustiçado?
Vejo vocês na próxima! Beijinhos, Damasco.

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