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Resenha: (Não) conta pra ela, de Karoline Mandu

Oi, gente. Hoje é dia de uma resenha diferente porque não curto falar de livros que eu não gostei (e ele é até laranja), porém esse livro tem aspectos muito específicos que são muito relevantes para o debate de leitura em si. Hoje temos (Não) conta pra ela, um livro de poesia lésbico.

Armário branco com uma porta aberta e roupas de cores que formam a bandeira lésbica. Na frente da outra porta está escrito "(Não) conta pra ela" com a palavra "ele" com um x cobrindo-a. O fundo é laranja e embaixo tem o nome da autora, Karoline Mandu


DADOS DA OBRA:
Nome:
(Não) conta pra ela
Autora: Karoline Mandu
Tipo: Livro
Formato: e-book
Volumes: volume único
Páginas: 59
Editora: Publicação independente / Kindle
Idioma: Português
Gênero: Lésbico, Poemas, Poesia
Classificação: +12

Sinopse: Se descobrir uma garota que gosta de garotas não é uma tarefa fácil. (Não) conta pra ela, o primeiro livro de poemas de Karoline Mandu, te convida a passar por todos os estágios da descoberta e, apesar das dificuldades, encontrar beleza e orgulho nessa montanha-russa que é se descobrir diferente.

Em (Não) conta pra ela, Karoline abre as portas do seu armário e compartilha com o leitor muitas de suas experiências vividas como mulher lésbica (que nunca contou pra ninguém).

Resenha — (Não) conta pra ela

Eu de verdade não ia fazer essa resenha. Eu evito fazer resenhas de livros que eu não gosto porque sou uma pessoa muito crítica e às vezes sinto que o espaço que eu tenho como leitor não cabe algumas de minhas palavras e nem sei se é uma posição em que o autor devia estar, mas eu achei uma coisa sobre esse livro muito emblemática para eu só afundar minhas palavras em meu coração e seguir em frente.

(Não) conta pra ela é um livro de poemas e textos curtos sobre se descobrir lésbica e as primeiras experiências disso. Eles foram retirados do diário da autora, que os escreveu durante a adolescência e são muito significativos para ela.

Eu não acho que é um livro bom. Eu não acho que é um livro de poemas bom. Poema segue uma estrutura e versos tem uma ideia por trás, mas todos os textos parecem frases quebradas de um parágrafo completo (talvez funcionassem como crônicas?). A escolha de publicar trechos do próprio diário também levantam outros questionamentos: será que eram textos para serem publicados, no sentido de ser um livro para sofrer críticas? Na primeira leitura fiquei indignada, mas na segunda conquistou uma simpatia, tem muitos temas relevantes sobre ser lésbica, ser uma garota, encarar o mundo, os pais, as garotas. Será que o segredo é realmente ler detrás pra frente?

Mas a parte que é verdadeiramente emblemática foi a de descobrir que esse livro impactou positivamente muitas pessoas: relatos de pessoas que conseguiram se apoiar e se descobrir mais após a leitura do livro fez com que eu voltasse meus olhos para que não ser bom não tem relação com o impacto que ele pode ter nas pessoas. Esse livro não é bom, de verdade, mas acho que ele é um manifesto político e um abraço às pessoas que precisam disso no momento.

Eu sou do tipo de pessoa que escolhe ver um livro do lado de fora, principalmente pra escrever resenhas, mas não acho que esse era um livro que estava procurando por mim. Espero que as pessoas que precisam dele possam encontrá-lo.

Até a próxima! Damasco.

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